A transição para o modelo de IVA Dual (IBS e CBS) muda muito mais que os percentuais de impostos. O maior desafio gerencial para os próximos anos será a administração do capital de giro e a adaptação do fluxo de caixa.
O repasse de créditos e o capital de giro
A nova legislação baseia-se na não cumulatividade plena. Todo imposto pago na compra de produtos gera um crédito para a empresa, que é descontado do imposto cobrado do consumidor final. O problema operacional é o tempo entre a compra e a compensação.
O restaurante ou comércio precisa pagar o fornecedor à vista ou a prazo. Porém, o desconto tributário correspondente só é aproveitado no momento da venda. Quem não mantiver um controle rígido das entradas e saídas pode acabar com parte do capital de giro presa em créditos tributários.
O funcionamento do Split Payment
A mudança que trará maior impacto diário nas finanças é o Split Payment, ou Pagamento Dividido. Quando o consumidor pagar a conta eletronicamente, seja via cartão ou PIX, o sistema financeiro separará o valor referente ao IBS e à CBS e repassará direto ao governo.
Atualmente, as empresas retêm o valor integral da venda e utilizam esse montante como caixa durante o mês, pagando o imposto apenas no vencimento da guia. Com o repasse automático do Split Payment, esse volume financeiro não transitará mais pela conta bancária do estabelecimento.
A necessidade de dados em tempo real
Com menos margem para atrasos na conciliação bancária, esperar os relatórios contábeis do fim do mês deixará de ser uma opção segura. A operação exigirá acompanhamento financeiro contínuo.
Sistemas como o OrganizeMais permitem cruzar os dados do PDV com a retaguarda instantaneamente. Isso possibilita projetar os recebíveis exatos, já descontando as retenções dos cartões e os novos impostos. Investir na organização do fluxo de caixa hoje é o único caminho para que o modelo financeiro suporte o período de adaptação legislativa que se aproxima.
